A crise chegou à arquitectura e os ateliers já estão a despedir

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A falta de novos projectos, motivada pela crise, tem levado ao despedimento de vários arquitectos. Segundo o presidente da Ordem dos Arquitectos, João Belo Rodeia, a situação  “É muito grave. Estão quase todos os ateliers com muitas dificuldades”.
Álvaro Siza, por exemplo, já despediu quatro dos 13 colaboradores do seu atelier . Carrilho da Graça passou dos 36 projectistas que tinha ao seu serviço para apenas vinte. “E há casos piores”, assegura. Ou seja: os arquitectos estão a sentir na pele a frase que Souto de Moura proferiu, em Junho, no Mellon Auditorium: “A solução para a arquitectura portuguesa é emigrar.”
“As razões são óbvias. Sem trabalho, as pessoas não podem estar a olhar para a parede. Se telefonar para qualquer escritório, dir-lhe-ão a mesma coisa: há pouca obra e há atrasos no pagamento das obras públicas”, disse Álvaro Siza ao PÚBLICO, recusando-se, porém, a referir casos concretos de incumprimento.
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No Atelier 15, de Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez, já só trabalham três dos oito arquitectos que lá havia. “A situação é mesmo negra, é trágica. Estamos a perspectivar o fecho do atelier no final do ano”, diz Alves Costa. “Queremos evitar criar situações dramáticas aos nossos colaboradores, mas também não sabemos se para eles é melhor serem dispensados agora, com o enquadramento da actual lei laboral, ou mais tarde, quando, com a nova legislação, irão receber muito menos subsídio de desemprego.”Embora adiante que todo o trabalho que tem são projectos que estão a ser ultimados, e que não tem novas encomendas, Manuel Aires Mateus ainda não despediu ninguém. “Dispensar alguém que não tenha uma alternativa significa, hoje, mandar essa pessoa para o desemprego. Farei tudo para resistir com os nossos. Tentaremos arranjar mais campos onde trabalhar, mas despedir será a última coisa a fazer, mesmo que isso não seja muito racional”, diz. Até quando? “O limite está no banco. Aguentarei enquanto houver dinheiro para pagar os ordenados.”

Fonte: Público, 22.01.2012