Casa do Paço da Figueira da Foz: novo horário de abertura

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“Mas, ainda sem sair da Figueira da Foz, ali no centro da Cidade Velha, decerto o impressionará o casarão que alinha com a doca, a imponente «Casa do Paço», flanqueada de seu torreão senhorial a atestar a presença de passada grandeza! Se a curiosidade o solicitar, poderá visitar-lhe o interior, e então verá, entre surpreendido e maravilhado, o mais vasto e variado repositório de estranhos azulejos existente em Portugal, e, diga-se desde já, o mais extraordinário, no seu género, em todo o Mundo…”

 J. M. dos Santos Simões

 

Assim descrevia Santos Simões a Casa do Paço no seu estudo «A Casa do Paço da Figueira da Foz e os seus Azulejos», em 1947. Esta cidade viria a ser o local escolhido por D. João de Melo (1620-1704), Bispo-Conde em Coimbra (1684-1704), para, nos finais do século XVII, construir este edifício, junto às cristalinas águas do rio Mondego e às ondas do Oceano Atlântico, instituindo o morgadio da Figueira a favor do seu sobrinho D. António José de Melo e Mendonça. Até pouco antes da morte de D. Miguel António de Mello de Abreu S. B. B. Palha Vasconcelos Guedes, 1º Conde de Murça, em 1836, esta edificação esteve sempre na posse da família Mello.

Classificada como Imóvel de Interesse Público em 1967, desde o século XIX até ao presente a Casa do Paço foi sede de diferentes serviços e instituições, tais como: teatro (cerca de 1823 a 1860); Assembleia Figueirense (1857 a 1879); Museu Municipal (1894 a 1899); Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (no piso nobre desde 1922 a 2005); Grémio Lusitano (1885 a 1888), Grémio Recreativo (1888 a 1892); Escola Industrial da Figueira da Foz (1894 a 1898); Colégio Liceu Figueirense (1903 a 1906) e Ginásio Clube Figueirense (1914 e 1922 a 1930). O piso térreo foi transformado em espaços comerciais e de serviços.

Apesar da sua grandiosidade, são os quase 7.000 azulejos que conferem a este Paço um cariz de particularidade. Os azulejos holandeses de figura avulsa, da primeira metade do séc. XVIII, de temas Bíblicos, Paisagens e Cavaleiros, que revestem quatro das divisões do piso nobre, constituem um conjunto raro de azulejaria holandesa em Portugal e na Europa, sendo um caso invulgar de tamanha quantidade deste tipo in situ.

De acordo com a lenda, os azulejos terão chegado à Figueira da Foz através da recuperação da carga de uma fragata holandesa, possivelmente em 1706, tendo sido posteriormente adquiridos pelos senhores da Casa do Paço.

Fonte: CM Figueira da Foz