“15 + 1”, exposição colectiva na DaVinci art gallery, Porto | artigo de José Rosinhas

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Com esta mostra DaVinci art gallery, apresenta trabalhos artísticos que refletem uma plena especificidade e maturidade. As obras têm uma força brutal que reside na interação de várias realidades bem como na capacidade de apresentar diferentes narrativas, desenvolvendo uma linguagem poética própria, através de uma unidade plástica.

 

Assim as obras presentes são manifestamente individualizadas, mas unidas por um estilo de equilíbrio estrutural, suscetível de controlar uma ansiedade expressiva.

 

Os temas na mostra são múltiplos como o retrato nas obras únicas de Manuela Matos Monteiro (auto-retrato) e de Rita Roque (retrato de Marina Abramovic), ou como o tema de “Adão e Eva” na obra “Floresta Celta II” que faz parte da série “Chá Verde” de Mariana de Castro, ou ainda o registo de uma performance que podemos observar na fotografia+objecto de Bárbara Fonte.

Salientamos ainda a obra de Ana Temudo, uma artista emergente da Faculdade de Belas de Artes da Universidade do Porto que apresenta um “trabalho que pretende pensar o papel da pintura enquanto linguagem plástica permanentemente presente na sociedade”.

 

A escultura está presente através das obras de Susana Piteira e de Teresa Pedroso, a primeira uma obra de parede e a segunda um trabalho com madeiras germânicas que nos associa a obeliscos, marcos da presença humana na paisagem.

 

De referir a literatura como fonte de inspiração na pintura de Maria Rosas, patente na sua obra “Mulheres à beira-mar” baseada no poema homónimo de Sophia de Mello Breyner Andresen e um mundo mais espiritual na pintura de Catarina Machado que procura realçar as asas como símbolo na plenitude do vôo e dedicando-as “aos anjos que já partiram…rumo ao Infinito!”.

 

A metáfora é utilizada na obra da Do Carmo Viera, isto é, o conceito de embalagem é uma metáfora à liberdade ilusória do estado atual da arte. As obras de Marta de Aguiar, Alvarenga Marques, Miriam Rodrigues, Renata Carneiro apresentam-nos trabalhos em que o espectador toma o seu papel principal de voyeur e tem que descobrir os elementos representados nas obras. Os desenhos de Luísa Gonçalves, levam-nos a pensar na obra de Georgia O’Keeffe (1887–1986) em que as flores se tornam em algo tão associado à imagem do que é ser feminino e do desabrochar, desflorar…

 

O mais um está representado pelo designer do calçado Avelino Pimenta, com a marca Goldmud, uma conceituadíssima marca de sapatos de senhora. Acrescenta-se que a empresa é um projecto da Why We Trading, do empresário Miguel Abreu.

 

José Rosinhas

Abril 2014