Frank Gehry não será o arquitecto do Centro de Artes Performativas do World Trade Center

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Frank Gehry, o célebre arquitecto responsável, por exemplo, pelo museu Guggenheim de Bilbao e que em 2003 o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, escolheu para reabilitar o Parque Mayer, colaboração que não chegou a concretizar-se, viu o seu projecto para o Centro de Artes de Performativas do World Trade Center, em Nova Iorque, ser posto de lado pelos responsáveis do mesmo.

A notícia foi avançada quarta-feira pelo New York Times, que citava John E. Zucotti, promotor imobiliário que é presidente do conselho de administração do centro. “Encontramo-nos no processo de selecção de um novo arquitecto. Estão a ser analisados três ateliers de arquitectura”, afirmou, sem revelar os nomes. Certa é a decisão de reduzir a dimensão projectada inicialmente para as três salas de espectáculos, uma das quais, a ser utilizada pelo Joyce Theater, iria servir mil espectadores.

A inclusão do centro de artes no espaço erguido para recordar as vítimas do 11 de Setembro de 2001 foi pensada como forma de o tornar não só um memorial, mas também um local de cultura que atraia turistas e nova-iorquinos. Porém, o processo que levará à sua construção tem sido lento, minado, escreve o New York Times, por problemas relacionados com a recolha de fundos e com a construção de um novo eixo rodoviário no local.

Os responsáveis pelo centro têm estudado a organização e funcionamento de instituições consideradas de sucesso, como a Academia de Música de Brooklyn, o Lincoln Center ou o Centro de Artes Performativas e Media Experimentais Curtis R. Priem, para definir com maior exactidão o seu projecto. John E. Zucotti considera que o novo centro cultural deve focar-se na “cultura americana” – musicais, por exemplo -, de forma a atrair o público-tipo visitante do memorial, pondo o foco nas oportunidades concedidas a novos talentos, forma de celebrar “o renascimento nesta zona onde tantas pessoas morreram”.

New York Times cita uma entrevista de Frank Gehry, em que o arquitecto declara não ter sido avisado pelo conselho de administração da recusa do seu projecto. Mas acrescenta que, dada a nomeação em 2012 de Maggie Boepple como presidente do futuro Centro de Artes Performativas, não foi apanhado de surpresa. “Ela diz que eu construo maquetas. Não faz a mínima ideia do que faço e como o faço. Está tudo bem. É uma nova equipa. Devem fazer o que quiserem. Eu não quero estar onde não me querem”. Estima-se que o atelier de Frank Gehry tenha recebido cerca de 4 milhões de dólares (3,05 milhões de euros) pelo trabalho desenvolvido.

A construção do Centro de Artes Performativas do World Trade Center tem um custo avaliado de 400 milhões de dólares (cerca de 304 milhões de euros).

Fonte: Público