Palácio português considerado um dos monumentos mais ameaçados da Europa

1850

palacio_loures

Um dos raros exemplos da arquitectura residencial, medieval e renascentista em Portugal foi considerado  como um dos 14 monumentos mais ameaçados na Europa, segundo a Associação Europa Nostra. A lista, organizada por esta organização europeia de defesa do património, inclui sítios arqueológicos, edifícios e até a Lagoa de Veneza.

O Palácio Valflores, em Santa Iria da Azóia, Loures, foi a casa do Feitor de D. João III na Flandres, mas hoje pouco mais resta do que algumas paredes e parte dos torreões do edifício.

“Este é um problema que se arrasta há demasiado tempo”, reconhece Paulo Piteira, vice-presidente da Câmara Municipal de Loures, referindo-se às cerca de três décadas durante as quais o Palácio das Cabaças ou das Abóboras, como é localmente conhecido, tem vindo a deteriorar-se.

Para o autarca, esta nomeação é um sinal “muito importante, significa que há cada vez mais gente atenta à questão da defesa e valorização do património”. Reivindicando para a autarquia o papel de “entidade mais empenhada” na recuperação deste imóvel, Paulo Piteira recorda que desde a sua construção, no século XVI, até ao final do século XX pertenceu a particulares. Ciente do seu valor patrimonial e cultural, nos primeiros anos deste século, a câmara avançou com um plano de recuperação, em parceria com a Valorsul, empresa que trata os resíduos sólidos urbanos de vários municípios, entre os quais Loures, onde instalou a incineradora. E se a câmara concretizou a sua parte – adquirindo o imóvel por cerca de um milhão de euros -, a Valorsul acabou por não financiar a recuperação. Não por vontade da empresa mas porque “foi impedida pelo Ministério do Ambiente”, assinala o autarca.

Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1978, “com valor excecional, cujas características deverão ser integralmente preservadas”, a câmara tem em curso uma candidatura a fundos comunitários, no valor de meio milhão de euros, para viabilizar uma intervenção que estabilize o imóvel.

O projeto para a total recuperação – com a criação de um centro cultural, uma escola de artes e ofícios e um pequeno museu – deverá custar cerca de cinco milhões de euros, adianta Paulo Piteira. Mas para avançar, a câmara precisa de parceiros, algo que, espera, possa vir a concretizar-se com o alerta agora lançado.

As nomeações para o programa Os 7 mais ameaçados de 2016 foram submetidas por organizações da sociedade civil e entidades públicas de toda a Europa que integram a rede da Europa Nostra e os locais foram selecionados tendo em conta o seu notável valor patrimonial e cultural, bem como a situação de risco, explica a organização, em comunicado.

Fonte: DN

Artigo