Saúde, beleza e bem-estar – o turismo da felicidade | um artigo da autoria de Rogério Monteiro

sibtur

O Simpósio Internacional de Boas Práticas no Turismo (SIBTUR), realizado em São Pedro do Sul, nos dias 4 e 5 de Maio, cruzou distintas e distintivas áreas do Turismo. Será abordado neste artigo o turismo de saúde, lazer e bem-estar.

Por Rogério Monteiro*

Fotografia: Bruno Correia – DarCores

 

O Turismo “é uma máquina que já ultrapassou o setor petrolífero”, sublinha o Professor Carlos Costa, da Universidade de Aveiro, frisando, porém, do ponto de vista contabilístico, os problemas advindos da improdutividade concretizada pela sazonalidade. No entanto, hoje, o turista procura qualidade e “está sempre de férias”. O turista dos anos 1960 procurava o operador turístico, o de hoje “recorre à app ou fala com o amigo”, compreende o Professor. Também o transporte está hoje esmagado pelos custos e “é mais barata uma viagem a Roma de avião do que pagar portagens do Porto ao Algarve”, exemplifica. Na hotelaria, está aí o “novo turista” de hostel, que partilha, que quer interagir e procurar novas dimensões, mas quer qualidade em tudo e “ser feliz”, aportando ao Turismo “um estado de espírito”. A contribuir para este, surgem novas formas de wellbeing em espaço termal. As 35 estâncias termais que fazem parte da Associação das Termas de Portugal (ATP) destacam-se pelas 830 camas e os 5000 empregos criados por esta indústria. Os aquistas nacionais rondam os 90%, a que se somam 10% de estrangeiros, sobretudo, espanhóis e franceses. O presidente da Termalistur – Termas de São Pedro do Sul, Vítor Leal, para o período 2015-2020, e enquanto presidente da ATP, “propõe qualificar e valorizar recursos: apostar em I&D e desenvolver linhas de produtos dermacosméticos; formar recursos humanos e articular escolas e empresas; renovar, cooperar e fomentar redes; implementar marketing estratégico de abertura das portas a todos”.

Um projeto de referência é o H2otel-Aquadome, orçado em 16 milhões de euros, situado num recanto do vale glaciar da Serra da Estrela, na pequena vila de Unhais da Serra, Covilhã, a 750 metros de altitude. Este empreendimento turístico termal de montanha posiciona-se como um dos vinte melhores hotéis portugueses na categoria de quatro estrelas. O seu administrador, Luís Veiga, destaca o ambiente descontraído do hotel – o cliente pode andar de “roupão desde o pequeno-almoço”. A completar o sétimo ano, o projeto já recebeu mais de 150 000 hóspedes, a receita por quarto disponível (RevPar) aumentou de 52€ para 91€ e, ao invés da significativa subida do gasto médio por cliente (ADR) de 86€ para 156€, a taxa de ocupação (TO) caiu de 64% para 59%, representando, porém, maiores proveitos. Os dados relativos ao primeiro trimestre de 2016 revelam o crescente aumento das TO, do RevPar e do ADR. Além de uma estratégia de marketing centrada nas redes digitais, RP, imprensa, feiras e ateliês, a aposta é também feita na qualificação dos recursos humanos, sendo que, em 74 dos seus colaboradores, cerca de 30% têm formação superior. Entre 2010 e 2015, dos 4064 termalistas a preferência recaiu no spa termal e no tratamento de corpo e rosto, correspondendo a cerca de 17 000 massagens. Em 2015, o produto Medical Spa cativou, em média, 28 clientes por semana, desembolsando, cada um, cerca de 2400€.[1]

Poon, A. (1994). The “New Tourism” Revolution. Tourism Management, 15 (2), 91-92.

 

* Rogério Monteiro, mestrando do curso de Mestrado em Turismo, Territórios e Patrimónios, na Universidade de Coimbra. Licenciado em Estudos Portugueses e pós-graduado em Ensino de Português como Língua estrangeira. Experiência profissional em países como Timor-Leste, RAE de Macau, França e República Checa. Viajante apaixonado, leitor e investigador.

**Foto Bruno Correia

[1] http://www.h2otel.com.pt/