Arqueólogos alertam para a necessidade de desenvolver “uma estratégia sustentável de gestão de espólios”

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Um grupo de trabalho de arqueólogos afirma, num documento hoje divulgado, que é urgente desenvolver “uma estratégia sustentável de gestão de espólios arqueológicos, de forma a salvaguardar o seu potencial patrimonial e científico”.

“Urge adequar as infraestruturas nacionais às reais necessidades, e implementar uma estratégia sustentável de gestão de espólios arqueológicos, de forma a salvaguardar o seu potencial patrimonial e científico, tal como a sua conservação futura”, lê-se no documento hoje divulgado numa reunião pública de profissionais, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.

Esta posição dos arqueólogos deve-se ao “grande volume alcançado pelos bens recolhidos” e, perspetivando o que se vai “recolher no futuro”, lendo-se no documento que, nesta matéria, há que ter “sempre em consideração [as] exigências deontológicas e condicionalismos de recursos”.

Todo o espólio proveniente de trabalhos arqueológicos, de acordo com a Lei de Bases do Património Cultural, “é património nacional”, salienta o grupo de trabalho.

O documento, que vai ser colocado à discussão pública até abril do próximo ano, surgiu porque, “pela primeira vez na sua história, a atividade arqueológica se deparou com uma contingência de cariz logístico e também científico que em muito pode afetar a qualidade da sua prestação e a capacidade de preservar a memória para as gerações vindouras”.

O documento é “um conjunto de recomendações de boas práticas inerentes aos processos de recolha e eventuais seleções, depósito não ativo e descarte de espólios, numa perspetiva crescentemente ponderada de preservação para futuro dos espólios recolhidos em trabalhos arqueológicos que detenham potencial gerador de informação científica”.

Sublinham os autores do documento, que “todas as ações de gestão de coleções e espólio (…) devem ser especificadas nos respetivos Pedidos de Autorização de Trabalhos Arqueológicos” ou nos respetivos relatórios de atividade arqueológica.

As decisões relativas à gestão de coleções e espólios nas diferentes fases das escavações arqueológicas devem ser “por profissionais com conhecimento e experiência comprovada, no estudo do espólio em causa”.

O documento de treze páginas A4 foi produzido por um grupo de trabalho constituído por arqueólogos da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e da Câmara de Lisboa/Centro de Arqueologia de Lisboa (CML/CAL), aos quais se juntaram arqueólogos provenientes da academia e do meio empresarial.

Ana Sofia Gomes e Jacinta Bugalhão, da DGPC, António Marques e Rodrigo Banha da Silva, da CML/CAL, José António Bettencourt, da Universidade Nova de Lisboa, Miguel Lago, da empresa ERA Arqueologia, e Victor Filipe, como “arqueólogo independente”, constituíram o grupo de trabalho.

O documento ficará, entretanto, disponível nos sítios na Internet da DGPC e da CML/CAL, e, até abril próximo, todos os profissionais envolvidos, mas também o público interessado, poderão enviar os seus comentários, críticas e sugestões para o endereço eletrónico gestaoespolios@dgpc.pt.

Fonte: DN