Município de Santa Comba dão prepara museu dedicado ao Estado Novo

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A construção do centro interpretativo do Estado Novo, em Santa Comba Dão, vai ter início no próximo ano, anunciou ontem o presidente daquele município, Leonel Gouveia, à margem da apresentação do livro A queda de Salazar, do jornalista José Pedro Castanheira, que decorreu na terra natal do antigo ditador.

Em declarações à agência Lusa, o autarca revelou que já existe apoio para o projecto e que a primeira fase do futuro espaço cultural deverá estar concluída no final do primeiro trimestre de 2019.

O Centro Interpretativo do Estado Novo vai funcionar na Escola Cantina Salazar, no Vimieiro, um edifício vizinho da casa onde viveu António de Oliveira Salazar cuja arquitectura “está totalmente preservada, sem qualquer alteração à construção original” ,garantiu Leonel Gouveia.

Também para o próximo ano está previsto avançar com projectos do futuro Museu do Estado Novo. “Queremos que Santa Comba Dão tenha uma relevância naquilo que foi a figura de Salazar e a história do Estado Novo”, referiu o presidente da câmara. O município, que já era titular de um terço do conjunto imobiliário pertencente a Salazar, em que se inclui a escola e as casas onde nasceu e viveu, adquiriu agora a parte restante do terreno.

O autarca admitiu que estes projectos, há muito falados, nunca avançaram por falta de limitações financeiras mas também por alguma incomodidade, “”será sempre controversa”. O objectivo, referiu, não é que o centro interpretativo e o museu sejam um santuário da figura de Salazar, mas que contem, “sem nenhuma conotação ideológica, a história vivida nesse período”. Leonel Gouveia reconhece que qualquer iniciativa ligada ao antigo estadista “será sempre controversa”, mas quer que a construção dos novos espaços “seja pacífica”.

O centro interpretativo tem um orçamento de 170 mil euros para a requalificação do edifício e para a criação da primeira parte, informou o autarca. A ideia é “acoplar a figura de Salazar a outras figuras importantes da região”, como Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal), a família Lacerda, no Caramulo (Tondela), Tomás da Fonseca e Branquinha da Fonseca, em Mortágua.

“Estamos, através de uma associação de desenvolvimento local, a trabalhar num projecto que candidatámos ao Programa Valorizar que se chama Rota das Figuras Históricas onde temos incluída a requalificação e musealização da parte restante da escola cantina Salazar e queremos com isto fazer um território que tem uma história”,anunciou Leonel Gouveia.

Fonte: Descla