Caderno de Arquitectura: “Sub-Estação N.º 1 do Castelo do Queijo”, por André Silva

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Estado atual da Sub-Estação N.º 1 do Castelo do queijo
Foto: Nuno Silva, Março de 2013

“Sub-Estação N.º 1 do Castelo do Queijo”, por André Silva

No Porto, entre o Castelo do Queijo e o Parque da Cidade encontra-se um grande edifício em ruína que não passa despercebido a quem ali passa. As suas particulares caraterísticas arquitetónicas fazem com que a sua imagem fique facilmente guardada na memória dos transeuntes: sem cobertura, destacam-se ainda grande parte das paredes exteriores e fragmentos das caixilharias que nos permitem ter noção do aspeto que outrora o edifício teria.

A licença para a sua construção data de 1904 e contém a assinatura do arquiteto Marques da Silva que aprovou o projeto apresentado pela Companhia Carris de Ferro do Porto para ali levantar uma sub-estação de abastecimento da rede de tração elétrica que então se expandia pela cidade.

Nesta altura os modos de vida da população do Porto modificavam-se progressivamente: o centro da cidade deslocara-se da beira rio para a atual Baixa e cada vez mais pessoas procuravam viver nos aldeamentos da periferia, optando pela separação entre os locais de habitação e trabalho. Esta revolução urbana foi acompanhada pela expansão da rede de elétricos que  durante a primeira metade do século XX foi o principal transporte urbano do Porto e periferia. Os elétricos  circulavam através da energia produzida na central térmo-elétrica de Massarelos – hoje adaptada ao Museu do Carro Elétrico – e de outras sub-estações, como a sub-estação n.º 1 do Castelo do Queijo.

Em 1911 a sub-estação foi ampliada, tendo-se-lhe acrescentado um corpo de maior área a norte e assim permaneceu durante o seu período de vida útil. A partir de meados do século XX os elétricos começaram a tornar-se incompatíveis com o crescente tráfego automóvel e em 1974 a sub-estação foi desativada. Na década de 90 este edifício albergou ainda o colégio Luso-Internacional do Porto, como o comprovam as siglas CLIP na fachada principal. Após o encerramento destas instalações do colégio a sub-estação n.º 1 do Castelo do Queijo tem-se vindo a degradar até ao estado em que hoje se encontra.