Os Antigos Paços do Concelho do Porto: uma Casa-Torre Medieval no Adro da Sé, por André Silva

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Os antigos Paços do Concelho vistos da rua Pena Ventosa

Foto: Nuno Silva, 2013

Foi entre o adro da Sé e a rua Pena Ventosa que desde os últimos séculos da Idade Média até aos fins do século XVIII funcionou a câmara municipal do Porto, então conhecida como o “Paço da Rolaçom”, que consistia numa casa-torre, da qual ainda subsistem os muros do piso térreo com duas portas em arco gótico.

            A construção desta casa-torre data do século XV e, segundo o contrato celebrado com o mestre de carpintaria Gonçalo Domingues, caracterizava-se da seguinte forma: do lado da Pena Ventosa a torre teria uma altura de 100 palmos (22m), a entrada principal fazia-se ao nível do adro da Sé e toda a torre era rematada por ameias. No interior existiam pelo menos três pisos: o superior era destinado às sessões do senado municipal e era guarnecido com bancadas e carteiras e contemplava um teto formosamente pintado; no piso intermédio encontrava-se a sala das audiências que era também guarnecido com bancadas, sendo as dos juízes e tabeliães as mais altas; o piso inferior, ao nível da Pena Ventosa, servia de loja. Os pisos do senado e das audiências eram ligados através de uma escada e, como se constata através de uma gravura do século XVIII de Maldonado vista de Gaia, cada uma destas duas salas teria pelo menos três janelas.

            Nos fins do século XVIII, invocando o perigo de ruína, a câmara abandonou a torre que não tardou a ser apeada até ao nível do adro da Sé e passou a ter funções de armazém e casa da guarda. No entanto a câmara continuar-se-ia a reunir nesta torre nas ocasiões da procissão do Corpus Christi até 1875, ano em que um incêndio a destruiu e fez com que permanecesse abandonada até ao fim do século XX.

            Atualmente, sobre as ruínas do antigo paço, encontra-se construída desde 2002 uma torre contemporânea projetada pelo arquiteto Fernando Távora e que é conhecida como a “Casa dos 24”, nome que advém dos 24 homens-bons que representavam o povo portuense e em especial os principais ofícios da cidade na altura em que a câmara aqui funcionava.

Bibliografia: BASTO, A. de Magalhães, “Vereaçoens: Anos de 1390-1395”, Câmara Municipal do Porto, 1937. SILVA, Francisco Ribeiro da, “Tempos Modernos”, in RAMOS, Luís de Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994.