Artigo “O Aqueduto do Convento de Santa Clara em Vila do Conde”, por André Silva

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Os arcos do aqueduto em Vila do Conde
Foto: Nuno Silva, 2013

 

Abrangendo os concelhos da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde encontram-se centenas de arcos que fazem parte de um aqueduto que desde 1714 permitiu abastecer o Convento de Santa Clara com a água proveniente de uma fonte situada a mais de seis quilómetros e que era jorrada no chafariz do claustro do convento.

A sua construção foi iniciada em 1628 no entanto, decorridos alguns anos, a obra fora interrompida pela falta de verba. De notar que nesta altura a coroa de Espanha sobrecarregava Portugal com elevados impostos e que poucos anos faltariam para que se iniciasse a Guerra da Restauração, na qual o grosso dos meios e das receitas nacionais foram canalizados para sustentar o esforço de guerra contra a Espanha. Entretanto, estabilizada a situação económica do país, propiciada pelo início da exploração do ouro do Brasil, a obra do aqueduto foi retomada em 1705 pelo punho do engenheiro militar Manuel Pinto Vilalobos – um dos principais protagonistas do desenvolvimento da arquitetura da Idade Moderna de Entre-Douro-e-Minho.

A água que abastecia o aqueduto provinha de uma fonte da freguesia do Terroso onde ainda se encontra um pequeno templo com um nicho e imagem de Santo António, mandado ali colocar pelas abadessas do convento. Daqui a água seguia debaixo de terra até Beiriz de onde seguia através de uma parede até uma estrutura em padieiras que se ligavam aos primeiros arcos. Estes, devido ao aumento do nível do terreno, ligavam-se novamente a novas padieiras que por sua vez se ligavam aos arcos que durante aproximadamente cinco quilómetros conduziam a água até ao convento.

Este aqueduto constitui assim uma das principais obras da arquitetura civil da Idade Moderna do norte de Portugal, representando quase um século da sua história que foi marcado pela falta de recursos. Falta essa que se encontra patente na estereotomia irregular da pedra do aqueduto e nas mudanças de direção dos arcos – adaptados à parte territorial que menos despesa implicava ao convento.

Bibliografia: FREITAS, Eugénio Cunha e, “O Aqueduto de Santa Clara de Vila do Conde” in “Boletim de Vila do Conde”, n.º 2, 1961. MAIA, Luiz, “O Aqueduto do Mosteiro” in “Illustração Villacondense”, n.º 1, 2 e 4, janeiro de 1910.