O Hotel Dom Henrique e a terciarização do Porto nos anos 60, por André Silva

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O Hotel Dom Henrique visto da Rua do Bolhão
Foto: Patrícia Marcos, 2013

Nos anos 60 o Porto afirmava-se claramente como a principal cidade do noroeste da Península Ibérica vocacionada para o sector terciário, como se constata pela quantidade de empresas, bancos e outros serviços conceituados que nesses anos tinham as suas sedes instaladas no Porto.
Esta crescente dinamização dos serviços fez com que em 1965 na parte de cima da Rua do Bolhão se iniciasse a construção de uma torre para escritórios com 18 pisos que viria a contrariar a política urbana de consolidação dos quarteirões da cidade, que comummente era feita através de edifícios cuja altura não excedia a da malha urbana envolvente por forma a garantir a sua salubridade. No entanto o facto da sombra da torre se projetar principalmente sobre o parque de estacionamento de planta circular situado a norte permitiu à equipa do Arquiteto Carlos Loureiro avançar com o seu projeto que contemplava a forma que hoje vemos: uma esbelta torre de planta orgânica, cujos alçados delicadamente desenhados inserem-se de tal maneira na malha urbana da cidade que, apesar da sua altura, passa facilmente despercebida aos transeuntes.
A conclusão da construção do edifício ocorreu no início da década de 70 e apesar de inicialmente ter sido pensado para albergar escritórios os proprietários consideraram que no futuro faria mais falta ao centro do Porto um hotel de quatro estrelas que foi batizado com o nome de “Hotel Dom Henrique” e que ainda hoje é um dos mais belos e acolhedores hotéis da cidade, não só pela qualidade arquitetónica como também pela impressionante e ampla vista que oferece.
O Arquiteto Carlos Loureiro foi membro da Organização dos Arquitetos Modernos e a sua obra no Porto coloca-o como sendo um dos principais vultos da qualidade da nossa arquitetura modernista. São também da sua autoria, por exemplo, o Pavilhão Rosa Mota, o Edifício da Tranquilidade e o Edifício Parnaso.
Bibliografia: FERNANDES, Fátima e CANNATÀ, Michele, “Guia da Arquitectura Moderna: Porto 1925-2002”, Porto, Asa, 2003; LOUREIRO, Carlos, “J. Carlos Loureiro: Arquitecto”, Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2012.