Casa de Fez – Centro de Documentação Arte e Arquitetura

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Ao passar na Rua de Fez, no Porto, não se imagina a beleza arquitetónica que se vislumbra quando se abrem os portões da moradia projetada por Álvaro Leite Siza Vieira, filho de um dos mais conceituados arquitetos. Uma casa-atelier que em julho se transformou em Casa de Fez – Centro de Documentação Arte e Arquitetura. E onde poderá nascer um polo museológico resultado de um projeto de ampliação para conduzir numa viagem pela cultura portuense através de “fotografias, desenhos, esculturas, maquetas, textos, entre outras obras de arte da família Siza Vieira”.

Desde 11 de julho de 2015 que Alvarinho Siza, como lhe chamam os amigos, organiza exposições temporárias, no Centro de Documentação Arte e Arquitetura, como a atual mostra de desenhos que serviu de mote para a recente publicação do livroO corpo como arquitetura, com texto de Bernardo Pinto de Almeida.

Com dez anos Álvaro Leite Siza Vieira já desenhava com precisão e talento. Um desenho dessa altura está exposto na parede da sala polivalente do atelier e é “sobre pensamentos, angústias. Está implícito o movimento, a interação entre as pessoas”. Num outro desenho, o traço é feito com 22 anos, já frequentava Arquitetura, na Cooperativa Árvore, no Porto, antes de se ter licenciado na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. “É meio cubista, porque há aqui uma variação de movimento”. O arquiteto diz mesmo que tem “influência da mãe, Maria Antónia Marinho Leite Siza Vieira, que desenhava lindamente”.

A concretização de um sonho

Não só Alvarinho continuará a morar e a ter o seu atelier na Casa Fez – cujo nome foi buscar à toponímia da rua -, como a irá ampliar para pôr de pé um sonho antigo que desenhou há anos. Um sonho que, recentemente, acabou por conquistar o pai Siza Vieira, vencedor do prémio Pritzker (1992) e que este ano representa Portugal na Bienal de Veneza.

Enquanto fala sobre a ampliação da Casa de Fez – Centro de Documentação Arte e Arquitetura, Alvarinho entusiasma-se e aponta para as formas e linhas arquitetónicas deste volume que projetou e onde mora. E que abre as portas a quem o queira visitar. “Ainda há pouco tempo, um casal americano bateu à porta para visitar o centro.”

Paramos para contextualizar a moradia que também será objeto de visita no âmbito do futuro museu. “Nesta casa percebe-se a horizontalidade e as proporções do corpo humano. Tal como ele é constituído por cabeça, tronco e membros, também a organização do espaço se divide em três partes: atelier, junto à rua, zona de serviços e casa, com comunicação ao jardim”. Será por baixo deste espaço verde e espelho de água que deverá acontecer a ampliação do Centro de Documentação Arte e Arquitetura e a organização de visitas ao espaço e a outras obras de arquitetura de pai e filho.

Fonte: DN