Dalila Rodrigues vai dirigir os Jerónimos e Joaquim Caetano o Museu de Arte Antiga

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O Ministério da Cultura anunciou esta segunda-feira os novos directores de dois dos seus equipamentos mais importantes. Dalila Rodrigues, 58 anos, assume a partir desta terça-feira a direcção do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, sucedendo a Isabel Cruz Almeida, que desempenhou estas funções nos últimos 35 anos e que agora se reforma. Joaquim Caetano, de 56 anos, historiador de arte, renderá em Junho António Filipe Pimentel como director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde é há dez anos conservador de pintura. O gabinete de Graça Fonseca precisa que ambos exercerão os seus cargos em regime de substituição.

Do currículo de Dalila Rodrigues consta, precisamente, a direcção do MNAA, que assumiu entre 2004 e 2007. Saiu em conflito com a tutela, nessa altura o Instituto dos Museus e da Conservação. O director, Manuel Bairrão Oleiro, e a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, não a reconduziram para um segundo mandato, tendo a historiadora de arte considerado essa decisão “ideológica”. Tal como o actual director, também ela reclamava para Arte Antiga um estatuto especial face ao dos outros museus públicos, com uma autonomia de gestão efectiva.

Doutorada em História de Arte pela Universidade de Coimbra, ganhou notoriedade enquanto directora do Museu Grão Vasco, em Viseu, funções que desempenhou entre 2001 e 2004, acompanhando as obras de renovação a cargo do arquitecto Eduardo Souto de Moura. Foi o sucesso do Grão Vasco que a levou à direcção do MNAA.

Após uma efémera passagem pela direcção do departamento de Comunicação e Marketing da Casa da Música, no Porto, em 2008, a historiadora de arte foi convidada para dirigir o novo museu dedicado à obra de Paula Rego em Cascais — a Casa das Histórias —, instalado num edifício também projectado por Souto de Moura. Apesar de o convite lhe ter sido dirigido pela artista, Dalila Rodrigues foi afastada do projecto logo em 2009, por decisão da própria pintora. Foi ainda administradora do Centro Cultural de Belém, cargo que deixou em 2015, quando a instituição era presidida por António Lamas. Regressou, então, à carreira académica, repartida entre a Universidade de Coimbra e o Instituto Politécnico de Viseu.

Nos Jerónimos e na Torre de Belém a nova directora terá de lidar, tal como Joaquim Caetano no MNAA, com uma dramática falta de pessoal, um problema aliás comum aos 23 museus e monumentos da DGPC. Num debate público que decorreu em Janeiro num dos auditórios do Parlamento, e em que esteve presente a maioria dos directores destes equipamentos, Isabel Cruz de Almeida garantiu: “Há um problema gravíssimo de recursos humanos e de segurança nos monumentos mais visitados do país.”

Com um percurso mais discreto, Joaquim Caetano, até aqui conservador de pintura do MNAA, foi durante dez anos (1999-2009) director do Museu de Évora, entretanto elevado à categoria de museu nacional com o nome de Frei Manuel do Cenáculo. Como investigador, dedicou parte dos seus estudos à obra dos pintores Diogo Contreiras e Jorge Afonso. Foi professor na Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, e assistente convidado na Universidade de Évora, sendo também autor de dezenas de artigos e de livros sobre história da arte portuguesa e europeia.

Começou a trabalhar no MNAA em 1991, no âmbito do programa de inventário nacional dos bens culturais móveis, e passou pela Biblioteca Nacional de Portugal (1997-1999) antes de assumir a direcção do museu de Évora, cujas obras de requalificação acompanhou. Regressou a Arte Antiga em 2010, já com António Filipe Pimentel à frente da equipa responsável pela renovação de grande parte dos seus espaços expositivos e por um aumento significativo da sua visibilidade, tanto a nível nacional como internacional.

Fonte: Público