João Fernandes sai do Rainha Sofia para dirigir o Instituto Moreira Salles no Brasil

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O português João Fernandes, que desde 2012 era subdirector do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid, vai dirigir a partir de Agosto o importante Instituto Moreira Salles (IMS), no Brasil, com pólos em Poços de Caldas (Minas Gerais), no Rio de Janeiro e em São Paulo, confirmou o próprio ao PÚBLICO, adiantando que desenvolverá a sua acção a partir da nova sede da instituição na Avenida Paulista, projectada pelos arquitectos do escritório Andrade Morettin.

“Achei que valia muito a pena aceitar este desafio para estar no Brasil agora, neste momento complicado da vida do país, com uma sociedade tão polarizada, porque sinto que a arte e a cultura podem contribuir para formas de estar em comum que estimulem a diferença de ideias e emoções, já que é isso que a arte faz”, diz João Fernandes, que aceitou “o convite muito honroso” do IMS após “alguns meses de reflexão”.

Terá a seu cargo a programação dos vários espaços de exposição do Instituto, mas trabalhará na nova sede em S. Paulo, que “tem sido um sucesso”, diz, “com mais de um milhão de visitantes logo no primeiro ano”. E que já este ano se tornou a casa, lembra, de “uma maravilhosa escultura de Richard Serra”, Echo, realizada especificamente para o jardim externo do edifício.

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O curador assumirá formalmente as suas novas funções em São Paulo a 18 de Agosto, mas manterá ainda, provisoriamente, alguma colaboração com o Museu Rainha Sofia, onde tem em mãos duas exposições, uma delas de um dos grandes nomes da poesia visual brasileira, o nonagenário Wlademir Dias-Pino, e outra de Concha Jerez, pioneira da arte conceptual espanhola. “Estou extremamente grato por tudo o que me permitiram fazer e aprender durante estes seis anos e meio em Madrid”, diz.

João Fernandes chegou ao Rainha Sofia vindo do Museu de Serralves, que dirigiu entre 2003 e 2012, substituindo o valenciano Vicente Todolí. No ano passado, a Art Review pô-lo, juntamente com o director do museu madrileno, Manuel Borja-Villel, na 51.ª posição da sua lista Power 100, que identifica a cada ano as figuras mais influentes do mundo da arte. A revista justificava a escolha elencando exposições como aquela que haviam dedicado ao sul-africano William Kentridge, ao artista luso-brasileiro e activista Artur Barrio e as correspondências artísticas de Fernando Pessoa, elogiando uma programação aberta “a nomes cujo trabalho não é propriamente ubíquo no circuito de museus nacionais”.

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Fonte: Público