Oliveira de Azeméis quer candidatar tradição vidreira a Património da UNESCO

72

A Câmara de Oliveira de Azeméis vai candidatar a tradição vidreira e a evolução industrial no município a património cultural imaterial da UNESCO, para salvaguardar o passado de uma indústria que chegou a empregar mais de mil pessoas.

“Esta é uma marca identitária do nosso concelho. Não é normal termos a presença de uma actividade industrial durante mais de 400 anos num concelho a funcionar de forma ininterrupta. E foi isso que aconteceu com a indústria do vidro, desde a origem na Quinta do Côvo, em 1528, até finais da década de 90”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira.

Actualmente, um grupo de trabalho criado pelo município está a elaborar o projecto para a inscrição da tradição vidreira no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial da Direcção-Geral do Património Cultural.

“Este é o primeiro passo para fazermos a candidatura à UNESCO. Sabemos que é um processo moroso, que não é fácil, mas é um percurso que nós vamos seguir e, claro, achamos que vamos ter sucesso nesta candidatura”, afirmou Joaquim Jorge Ferreira.

O autarca explicou que o objectivo desta candidatura é preservar a cultura do vidro e da tradição vidreira de Oliveira de Azeméis, procurando recriar a história desta indústria que, numa dada altura, foi “a grande empregadora no concelho”.

A primeira fábrica do vidro em Portugal (a fábrica do Côvo) nasceu no século XVI em Oliveira de Azeméis. Ao longo dos séculos seguintes a indústria vidreira prosperou no concelho, ganhando uma dimensão cultural ímpar e influenciando o aparecimento de outras modernas indústrias como a dos moldes.

No âmbito desta candidatura, a autarquia vai promover, no dia 28 de Maio, o seminário internacional “História e Cultura do Vidro na Identidade de um Povo” com comunicações de investigadores de Itália, Espanha e Portugal.

Antes, na próxima sexta-feira, será inaugurada uma exposição sobre a História Vítrea em Oliveira de Azeméis, na Escola Secundária Soares Basto.

Fonte: Público