França promove “Loto Património”

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património cultural, França

Um castelo na Borgonha, um viaduto nos Alpes, um moinho de vento no Vale do Loire, uma abadia na Normandia, uma biblioteca na Córsega, uma igreja em Guadalupe, uma fachada urbana na Martinica… Há 103 monumentos e sítios patrimoniais dos mais diversos, situados no território francês espalhado pelo mundo, que vão usufruir, este ano, do apoio do Loto do Património para obras de conservação e restauro.

É o segundo ano em que esta medida lançada pelo Presidente Emmanuel Macron em 2017 vem ajudar à preservação do património francês, à margem das instituições vocacionadas para o efeito. A ideia partiu, em primeiro lugar, do ex-deputado do partido Republicanos e ex-presidente da Cidade da Arquitectura e do Património, em Paris, François de Mazières. Acabou por ser oficializada pelo ministério das Finanças no final daquele ano, e teve uma primeira edição em Maio de 2018.

Nessa altura, três centenas de sítios, monumentos e outras construções de valor patrimonial puderam usufruir da “raspadinha” –​ designada “Super Loto Missão Património” – que foi expressamente impressa para o efeito e lançada no mês de Setembro pela Lotaria Nacional, empresa maioritariamente estatal, mas também pelo Fundo do Património e pelo Ministério da Cultura.

À imagem do que aconteceu no ano passado, também agora uma selecção de 13 das candidaturas aprovadas vai estar retratada nas “raspadinhas” que serão postas à venda no final do Verão – com o anúncio do resultado por altura das Jornadas Europeias do Património.

A lista dos sítios e monumentos escolhidos este ano, de um conjunto de 835 projectos candidatos, foi anunciada esta terça-feira pelo ministro da Cultura, Franck Riester. Mas o rosto principal desta iniciativa continua a ser o jornalista e animador de rádio e televisão Stéphane Bern, escolhido pelo Presidente Macron, que lhe chamou mesmo o “Senhor Património”.

Na edição deste ano foram seguidos os mesmos critérios de 2018, com o Loto do Património a contemplar candidaturas de todos os departamentos (circunscrição administrativa mais ou menos equivalente aos municípios portugueses) do território. “Tivemos a preocupação de evitar prejudicar alguém”, disse Stéphane Bern, citado pelo jornal Le Parisien, explicando também que a análise das candidaturas “levou em linha de conta o estado de perigo do monumento, mas também o impacto económico territorial do projecto”, além da qualidade na elaboração do projecto.

No ano passado, os 12 milhões de “raspadinhas” impressas (com o custo de 15 euros cada) renderam 22 milhões de euros.

Fonte: Público