Apresentação do plano estratégico para “Um Arquivo Nacional do Som”

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Pauta musical

Um Arquivo Nacional do Som, que permita arquivar o património sonoro de Portugal, tem a agora as bases lançadas, com a apresentação do plano estratégico para a sua instalação, colmatando uma lacuna com mais de 40 anos.

É um projeto que se discute há pelo menos 40 anos, a criação desta estrutura”, afirmou à Lusa a ministra da Cultura, Graça Fonseca, destacando que passará a ser possível a integração de Portugal (um dos poucos países da Europa que não tinha ainda um arquivo de som), na rede europeia internacional de instituições homólogas, que tem como missão garantir o património sonoro nacional.

Este é um dos pontos do plano estratégico que foi apresentado no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.

Este plano estratégico vai focar-se no enquadramento jurídico do arquivo sonoro nacional e na sua estrutura técnica e tecnológica, atendendo a que o que está em causa são fundamentalmente fonogramas, ou seja, conteúdos áudio.

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Um dos pontos fundamentais do plano estratégico será estabelecer prioridades, ou seja, identificar as instituições com as quais se vai trabalhar ao longo dos tempos, das mais decisivas, públicas e privadas.

É o caso do arquivo da RTP, mas também do Museu de Etnologia, “que tem um acervo importante de fonogramas”, ou do Museu do Fado” (o próprio museu fez este trabalho quando foi feita a candidatura do fado a património da humanidade).

“A ideia da equipa será definir o cronograma e as instituições parceiras prioritárias para fazer este trabalho, não numa lógica de se substituir às instituições que já fizeram o trabalho, mas numa lógica agregadora e com um padrão comum, técnico, para ter esse património preservado e de acesso universal às pessoas. A ideia aqui é trabalhar com todas as instituições, agregar trabalho, coordenar esforços e ter, dentro de uma lógica organizada e definida, o que é que é o património sonoro nacional”, sublinhou.

Tratando-se de um projeto a longo prazo — a equipa tem a missão a três anos, e neste tempo o que se vai definir é a instalação de todas as componentes, desde logo a física, ou seja a instalação de um espaço tecnológico -, é impossível estabelecer um orçamento, porque primeiro há que definir as características técnicas de laboratório e as infraestruturas tecnológicas, explicou Graça Fonseca à Lusa.

No entanto, adiantou que a tutela está já a trabalhar com a equipa “para identificar programas, nomeadamente comunitários, aos quais irão ser apresentadas candidaturas para receber o financiamento de parte deste projeto“.

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A equipa do Arquivo Nacional do Som é liderada pelo etnomusicólogo Pedro Félix, foi criada em fevereiro deste ano, e está a trabalhar desde março neste projeto, com a dupla participação dos ministérios da Ciência e da Cultura.

Posteriormente foi constituido o Conselho Consultivo, cuja estrutura – publicada em julho em Diário da República – compreende etnomusicólogo António Tilly, o responsável da Área de Conteúdos Rádio da Subdireção de Arquivo da RTP Eduardo Leite, o musicólogo Paulo Ferreira de Castro, a investigadora e diretora do Museu do Fado Sara Pereira e a professora catedrática de Etnomusicologia Salwa Castelo-Branco.

Fonte: RTP