Biblioteca Nacional de Portugal dedica exposição ao historiador Joel Serrão

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Biblioteca Nacional

A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) dedica uma mostra a Joel Serrão, revelando o acervo desta figura cimeira da historiografia e cultura portuguesas na segunda metade do século XX, que vai estar patente a partir de 16 de setembro.

Comissariada pelo investigador José Guedes de Sousa, a exposição homenageia o historiador que se afirmou no meio intelectual português a partir dos anos da II Guerra Mundial, “com intuitos de renovação cultural e intervenção pública norteados pelo apostolado `sergiano` que o acompanharia, por vezes criticamente, ao longo da vida”.

A obra de Joel Serrão denota uma grande variedade de interesses, que vão desde a sua inicial propensão filosófica (patente na tese de licenciatura e em antologias) até aos estudos literários, que abrangeram vários autores, como é o caso de Fernando Pessoa, logo em 1945.

Contudo, como destaca José Guedes de Sousa, foi na historiografia que Joel Serrão viu satisfeitos os seus diferentes interesses, primeiro no estudo de momentos-chave da história portuguesa (1383-85, 1640), depois o século XIX.

“Logo no início dos anos 1950 delineia um programa metodológico e de pesquisas que o irão ocupar nas décadas seguintes. Influenciado pelos Annales (Lucien Febvre, sobretudo), pretendia trazer valores e práticas da investigação científica para uma época ainda em grande medida desconhecida. Uma tarefa hercúlea de desbravamento das mais variadas perspetivas da sociedade oitocentista portuguesa, traduzida em estudos, ensaios, sondagens, hipóteses, revelação de fontes inéditas”, descreve.

O seu reconhecimento público esteve também associado à coordenação do Dicionário de História de Portugal, obra marcante deste período que cristalizou simbolicamente o estado da historiografia portuguesa durante os anos de 1960.

Fonte: RTP