Serralves festeja seis décadas da obra de Siza

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Siza Vieira

São seis décadas de produção arquitetónica. São os vinte anos do Museu concebido pelo arquiteto. O somatório das partes dá o pretexto para uma grande exposição dedicada à obra, mas também a aspetos importantes da vida de Álvaro Siza Vieira.

Composta por desenhos e maquetas, cadernos de esquissos e apontamentos de viagem, fotografias de autor sobre a sua obra, revistas e livros do período da sua formação e depoimentos de outros grandes arquitetos que ao longo do tempo se têm cruzado com a obra, a mostra assume um título revelador e espelho de um aspeto muito particular e menos conhecido da personalidade do arquiteto: “in/disciplina”.

Há uma explicação para a designação da exposição. Quando procediam à recolha de materiais nos diversos arquivos, os curadores, Nuno Grande e Carles Muro, encontraram um dos muitos cadernos escolares habitualmente utilizados pelo arquiteto para os seus desenhos e esquissos. Daqueles com espaço para a colocação do nome e indicação da Disciplina. Aí, Álvaro escreveu: “tão pouca quanto possível”.

No texto escrito para o catálogo da exposição, revelado em primeira mão pelo Expresso na edição de sábado passado, Siza recorda a sua adolescência enquanto jogador de hóquei em patins, com uma carreira desportiva interrompida devido a problemas com a vista. Na altura chorou, até por estar absolutamente convencido que a sua vida só faria sentido enquanto jogador de hóquei em patins. Assim, escreve, o hóquei em patins teve, para o que faz, “uma significativa influência: o jogo é tão rápido e exigente que não é possível separar a estratégia prévia e impossível. É necessário que atuem em simultaneidade, com o apoio determinante das ‘rodinhas’”.

Na arquitetura também há “rodinhas velozes” a que recorrer, “face à complexidade e à extensão e acidentes de percurso de qualquer projeto”. Há, no processo de elaboração de um projeto “um longo e ininterrupto percurso que exige (in)disciplina. A disciplina talha por fim a ‘pedra de fecho’”.

A exposição propõe uma por vezes surpreendente viagem ao universo de Siza, seja através de projetos construídos, seja através dos projetos imaginados, concebidos, transpostos para o papel, mas nunca materializados em obra acabada. Há vários nessa situação, como o Kulturforum, de 1983, uma proposta de concurso para Berlim, na Alemanha; o Museu para dois Picassos, projeto não construído datado de 1992 e destinado a Madrid, em Espanha; a ampliação do Museu Stedelijk, Amesterdão, um projeto concebido entre 1995 e 1998, mas nunca concretizado; ou ainda o projeto para duas pontes sobre o Douro, decorrente da hipótese da criação de novos corredores do Metro do Porto, datado de 2003.

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Fonte: Expresso

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