Palacete Ramos Pinto foi reabilitado e abriu como polo cultural em São Roque

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Palacete Ramos Pinto Porto

O Palacete Ramos Pinto, situado no Parque de São Roque da Lameira, reabriu como polo cultural. Obras de reabilitação levadas a cabo com o apoio da Câmara do Porto tiraram da ruína um destacado imóvel da freguesia de Campanhã, que exibe agora uma exposição de arte contemporânea.

O edifício, também chamado Casa São Roque, vai dar a conhecer ao público grande parte da coleção de arte Peter Meeker/Pedro Álvares Ribeiro, tendo começado neste fim de semana pela inauguração de “Inventória” com os trabalhos assinados por Ana Jotta e a curadoria de Barbara Piwowarska, a que compareceram visitantes de diversos países, entre os quais membros de alguns dos mais importantes museus e centros de arte de todo o mundo.
Este é apenas o primeiro capítulo de uma série de exposições com o título “A Casa e o Atelier”, que irá examinar o fenómeno das casas e dos ateliês de artistas – a relação entre o lugar onde a arte é feita e o lugar onde a vida é vivida.
O imóvel do século XVIII foi adquirido pela autarquia há mais de quatro décadas à família Cálem e só agora ganha finalmente um uso adequado, dando cumprimento a uma decisão unânime da Assembleia Municipal de ali instalar a coleção de arte contemporânea gerida pela Vivercidade – Associação para Promoção da Arte.
Depois de ter estado praticamente abandonado e ter começado a entrar em ruína, o palacete continuava a não ter utilização definida, mas o presidente da Câmara considerou que não devia ser alienado. Pelo contrário, Rui Moreira previu transformar a Casa São Roque em mais um polo do dinamismo social que quer imprimir na zona oriental da cidade e defendeu o seu aproveitamento para instalar “uma coleção de arte contemporânea de assinalável relevância”.
Assim aconteceu agora, fruto de um protocolo entre a autarquia e a Vivercidade, que incluiu o apoio para a realização da inevitável reabilitação do palacete, concluída assim dentro do prazo previsto.
Além de Ana Jotta, a coleção que alimentará as primeiras exposições integra obras de Augusto Alves da Silva, Jorge Molder, José Pedro Croft, Julião Sarmento, Paulo Nozolino, Pedro Cabrita Reis e Rui Chafes. Nela estão também representados vários artistas estrangeiros descritos como sendo “relevantes”, entre eles Miroslav Balka, Monika Sosnowska, Wilhelm Sasnal, Pawel Althamer, Pepe Espaliú, Ferran Garcia Sevilla , Jordi Colomer ou Art & Language.
De assinalável valor histórico e arquitetónico, a Casa São Roque teve uma intervenção do Arquiteto José Marques da Silva, entre 1900 e 1911, ostentando entre outros aspetos assinaláveis um vistoso jardim de inverno.
A propriedade confina com o Parque de São Roque, espaço verde com mais de quatro hectares que teve uma intervenção do jardineiro histórico do Porto Jacinto de Matos e onde podem ser admirados mirante, gruta e caramanchão característicos. Tem também entre os seus ex libris cerca de 200 japoneiras (cameleiras) e um Labirinto de Buxus sempervirens.
O novo polo de arte contemporânea do Porto pode ser visitado todos os dias exceto à terça-feira, entre as 13,30 e as 19 horas.
Fonte: Porto.