Cidadãos vão pedir classificação do património ferroviário na rotunda da Boavista

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Estacão comboios, Rotunda Boavista, Porto

Seis dezenas de cidadãos, académicos ligados à área do património industrial e ferroviário, mas também de outras áreas de saber e, pelo meio, vários membros da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro, divulgaram esta terça-feira uma carta aberta em defesa do património ferroviário da antiga estação Porto-Boavista. O edifício da gare, e outras estruturas, permanecem de pé, mas serão demolidas caso venha a ser aprovado o projecto do El Corte Inglés para aquele mesmo terreno, detido, ainda, pela empresa pública Infra-estruturas de Portugal mas prometido, e já parcialmente pago, pelo grupo espanhol. E, perante esse risco, vai ser pedida, nos próximos dias, a classificação deste “valiosíssimo” edificado, assegurou o primeiro subscritor.

A abertura de um processo de classificação, por parte da Direcção-Geral do Património Cultural seria um entrave, provisório, pelo menos, à construção de um grande armazém do El Corte Inglés na rotunda da Boavista. Enquanto a pretensão estiver a ser analisada, os bens em causa gozam de um estatuto de protecção semelhante ao do património já classificado. Segundo a legislação em vigor, o organismo que tutela o património tem 60 dias, desde a entrega do pedido de classificação, para decidir se abre um processo (provocando uma “protecção provisória”) ou se o rejeita. E se o aceitar, a câmara do Porto não poderia, por exemplo, licenciar uma construção no local.

Natural de Gaia, e investigador do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a Hugo Silveira Pereira, o primeiro na lista de signatários, não lhe causou espanto que, no conjunto de argumentos que têm sido trocados, publicamente, a propósito deste projecto comercial e imobiliário do El Corte Inglés, pouco relevo tenha sido dado ao património que ali subsiste. Afinal, nota, esta tem sido a sina de muito do edificado associado à história do caminho-de-ferro em Portugal. Mas os subscritores consideram que o Ministério das Infra-estruturas e Habitação, a IP – Infra-estruturas de Portugal, a Câmara Municipal do Porto, a Direcção-Geral do Património Cultural e a Metro do Porto não podem deixar de ser sensíveis a este “elemento emblemático da história e património recente da cidade”.

“A estação ferroviária do Porto-Boavista foi a primitiva estação central da Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão. Inaugurada em 1875, poucos meses depois da abertura da estação de Campanhã, serviu durante mais de cem anos o movimento ferroviário de passageiros e mercadorias do Porto, contribuindo para a expansão da malha urbana em direcção à Boavista”, assinalam os subscritores da carta, acrescentando que “a estação em si é um excelente exemplo da arquitectura ferroviária de finais do século XIX em Portugal, encontrando-se, por ora, em estado de conservação regular”.

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Fonte: Público

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