Arqueólogo Cláudio Torres honrado com Medalha de Mérito Cultural

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Claudio Torres

O arqueólogo Cláudio Torres vai ser distinguido com a Medalha de Mérito Cultural.

Segundo o gabinete da ministra da Cultura, o Governo Português entendeu prestar pública homenagem a Cláudio Torres, concedendo-lhe a Medalha de Mérito Cultural, “em reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada ao estudo e à investigação histórica e às causas do património cultural e da arqueologia peninsular, tendo ajudado a preservar e a compreender, com a sua obra, uma parcela fundamental da nossa memória coletiva“.

Cláudio Torres disse à Lusa que a atribuição da medalha é resultado de um “trabalho conjunto” e “indissociável de toda uma equipa, de anos de trabalho de centenas de jovens e de pessoas”, que trabalharam em Mértola através do CAM.

“A minha vida do passado é outra, foi andar por aí pelo mundo fugido ou meio fugido e a fazer coisas muito diferentes”, disse, referindo que a sua fixação, em 1986, em Mértola, onde desenvolveu o seu trabalho, foi “realmente interessante” e fruto “de acasos da história”.

No início dos anos 60 do século XX, Cláudio Torres, com 21 anos e estudante de Belas-Artes no Porto e oposicionista ao regime de Salazar, sofreu a perseguição da polícia do regime, tendo estado preso durante algum tempo.

Exilado no estrangeiro, trabalhou em vários países, como a Roménia, onde em 1973, concluiu a licenciatura em História e Teoria da Arte na Universidade de Bucareste.

Após o regresso a Portugal, em 1974, iniciou a atividade de docente no Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou várias cadeiras ligadas à História Medieval.

Em 1978, a convite do primeiro presidente da Câmara de Mértola eleito em democracia, António Serrão Martins, que era seu aluno em Lisboa, Cláudio Torres “lançou mãos à obra” em Mértola, onde, em 1978, fundou o CAM e para onde se mudou definitivamente, em 1986, depois do afastamento definitivo da Faculdade de Letras.

“Houve uma série de contactos que lançaram semente à terra”, disse Cláudio Torres, defendendo que é preciso “entender-se” que “há qualquer coisa importante” em Mértola e que “os habitantes tenham orgulho na sua pequena terra e não se vão embora”.

Cláudio Torres desejou que Mértola e o trabalho desenvolvido pelo CAM sirvam “de exemplo” e “para que haja uma certa mutação em relação à qualidade que temos hoje no nosso mundo rural e que pode criar polos de desenvolvimento”.

“Oxalá” sirvam para “abrir uma nova via de desenvolvimento, através deste fenómeno que é o património cultural”, para que “possa servir para criar riqueza e desenvolvimento para o interior”, desejou.

Graças ao trabalho do CAM, a população de Mértola “já está dependente” dos “saberes, objetos, artefactos e arquiteturas” que “fazem parte da sua pequena vila e que servem hoje fundamentalmente para o seu desenvolvimento para que não seja abandonada e esquecida como está a acontecer com tantos povoados do interior”.

A medalha vai ser entregue pela ministra da Cultura numa cerimónia no CAM, em Mértola, no sábado, dia em que Cláudio Torres, natural de Tondela, distrito de Viseu, onde nasceu em 11 de janeiro de 1939, faz 81 anos.

Fonte: Notícias ao Minuto