Direcção-geral arquiva classificação de quadro de Vieira da Silva por ter caducado

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Vieira da Silva

O processo de classificação do quadro Les Bicyclettes ou Les Cycles, de Maria Helena Vieira da Silva, aberto em 2017, foi arquivado, por ter caducado, três anos depois de a saída da obra de Portugal ter recebido parecer negativo.

Num anúncio datado de 15 de Novembro de 2019 e esta quinta-feira publicado em Diário da República, assinado pela então directora-geral do Património Cultural, Paula Silva, pode ler-se que “foi determinado o arquivamento, por caducidade, do procedimento de classificação da pintura a óleo”. A obra em causa, datada de 1951 e procedente da colecção de Jorge de Brito, já esteve inserida em exposições em Haia e Eindhoven, nos Países Baixos, e em Basileia, na Suíça.

O processo nasceu na sequência do pedido de saída do quadro de Portugal pelo proprietário da obra, não identificado pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), em Novembro de 2016. Com um valor atribuído de 170 mil euros, foi pedido ao Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC-MC) um parecer “sobre a relevância cultural da pintura em causa”. Esse parecer, que chegou à DGPC no dia 22 de Dezembro de 2016, salientava que a “peça é particularmente importante, especialmente por se inscrever numa fase de grande projecção da artista”, ao mesmo tempo que lamentava que “nos últimos anos [tenham] sido exportadas inúmeras obras de Vieira da Silva para venda no estrangeiro, numa situação de incontestável perda para o património artístico […] e consequente empobrecimento de Portugal na representação de Vieira da Silva”.

O mesmo documento lembrava que “a saída recente do país de inúmeras obras de Vieira da Silva, cerca de 30 excelentes peças, que assim circulam no mercado internacional, [constituía] uma situação indesejável pois dispersa a sua produção, desaparecendo assim o seu património no país de origem”.

Assim, o parecer técnico do MNAC-MC opunha-se à saída da obra de Portugal, realçando que o próprio museu só possuía duas peças sobre papel de Vieira da Silva, nenhuma delas “representativa do seu percurso artístico”. A partir do parecer, é então dada a concordância da DGPC à abertura do processo de classificação do quadro. Numa visita técnica, é constatado que o quadro foi “directamente afectado por infiltrações de águas pluviais”, mas sem “danos visíveis”.

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Fonte: Público

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