Trabalhadores da cultura reclamam fundo que abranja “os invisíveis” do setor

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Condições básicas de existência, para os trabalhadores intermitentes da cultura, ou “invisíveis”, é uma das exigências de um grupo de quase 200 personalidades do setor, divulgadas no passado sábado numa carta aberta, sob o título “Os invisíveis da cultura”.

Em causa estão sobretudo trabalhadores independentes, que constituem uma larga margem do setor cultural, e que podem não ter acesso aos apoios extraordinários anunciados, o que leva os subscritores a apelar a pessoas e entidades privadas interessadas, e com capacidade de ajudar, a que contribuam para a constituição de um grande fundo de solidariedade para com os profissionais da Cultura. Esse fundo terá de ser um veículo sério, credível e com escala para receber contribuições, fazendo a diferença na vida de centenas, talvez milhares, de profissionais da cultura, sublinham.

Os subscritores acrescentam que lhes parece “lógico e rápido”, neste momento, que a Fundação Calouste Gulbenkian “abra aos contributos de todos o fundo de emergência que tão atempadamente criou, e que se destina, especificamente nesta área, à reposição de rendimentos perdidos pelos profissionais da cultura devido aos cancelamentos e encerramentos de projetos e instituições culturais.”

Desta forma, prosseguem, “aproveitava-se uma estrutura já criada e funcional, gerida por uma entidade respeitada, de confiança e com potencial sistémico”. E caso a Fundação não possa assumir este papel, consideram que outra entidade com características similares devia tomar a iniciativa. “Por muito que seja importante perspetivar projetos para o online ou para o pós-estado de emergência, devido à Covid-19, não se pode criar e produzir quando a urgência é pagar a renda ou colocar comida na mesa”, dizem os signatários da carta, publicada online, este sábado, ao fim da tarde, na área de opinião do jornal Público.

Por isso, só congregando “esforços em torno de um fundo de solidariedade que cuide do presente dos profissionais da cultura (…) podemos, enquanto sociedade, garantir um mínimo de condições de sustentabilidade ao quotidiano de um conjunto alargado de pessoas, que se encontra em enormes dificuldades”, dizem. Os subscritores recordam ainda que, mesmo nessas dificuldades e incertezas, “uma parte destes profissionais saltou para o online na primeira hora, oferecendo o seu trabalho gratuitamente, para amenizar as consequências do confinamento forçado a que todos estamos obrigados.

“Ao mesmo tempo que o Ministério da Cultura apresenta uma série de medidas realistas, urgentes, no sentido de honrar compromissos e de criar um futuro para o sector, é fulcral que se pense no presente dos mais desprotegidos e que exista uma ação central coordenada de grande escala (em vez de diferentes iniciativas de pequena dimensão) no sentido de apoiar as suas necessidades mais imediatas, de sobrevivência”, concluem.

Vigilantes de museus, mediadoras culturais, produtores, ensaiadores, costureiros e caracterizadoras contam-se entre as profissões “invisíveis” que os signatários da carta citam.

A diretora do teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa, Aida Tavares, os encenadores Alex Cassal, António Durães, António Pires, Carlos Pimenta, Levi Martins e Nuno Cardoso, os museólogos Alexandre Matos e Ana Rita Canavarro e o presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João neto, o ator e encenador Álvaro Correia, a atriz Ana Bola, o ator e cienasta Gonçalo Waddington, a técnica de produção Ana Bragança, a produtora e atriz Andreia Bento, as atrizes Cátia Terrinca e Catarina Wallenstein contam-se entre os quase 200 subscritores da carta, que incluem programadores culturais, professores, investigadores, escritores, dramaturgos, artistas plásticos, bailarinos, coreógrafos e gestores culturais.

Fonte: Observador

Fonte: Observador