Morreu Eduardo Lourenço

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Via o esplendor em tudo o que o rodeava, até no caos, sem nunca abrir mão daquela que considerava ser a sua aliada maior: a capacidade de espanto. Figura maior da História de Portugal da segunda metade do século XX, Eduardo Lourenço faleceu, esta terça-feira, aos 97 anos .

Adoentado há muito tempo – a sua derradeira aparição pública foi no dia do seu aniversário, a 23 de maio de 2019, já muito debilitado -, deixa uma obra imensa cujas ramificações e influências se estenderam à Filosofia, Literatura e História, embora tenham abarcado também outras áreas do saber.

Aos que o questionavam sobre as razões de tamanha sede de conhecimento, “culpava” o seu “horror ao concreto”, responsável pelo apego extremo aos livros e à manifesta inaptidão para atividades físicas desde muito cedo.

Leitor voraz, escreveu de forma não menos intensa, legando-nos títulos tão essenciais como “O labirinto da saudade – psicanálise mítica do destino português”, “Fernando, rei da nossa Baviera”, “O canto do signo” ou “O esplendor do caos”.

Portugal foi sempre uma preocupação permanente para si. Mesmo à distância, captou-lhe o sentido e tudo fez para descodificar a sua essência. Glosou a identidade portuguesa em textos que não necessitaram que o tempo os fixasse para se tornarem canónicos. Para Lourenço, Portugal sempre padeceu de “hiperidentidade”, bem evidente na “mórbida fixação e no gozo da diferença que nos caracteriza no contexto de outros povos, nações e culturas”.

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Fonte: JN

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