Primeiro espaço museológico da Península Ibérica dedicado ao Holocausto abre portas dia 5 de abril

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O primeiro espaço museológico da Península Ibérica dedicado ao Holocausto abrirá portas no dia 5 de Abril, com a proposta de uma viagem sensorial pelo antes, o durante e o depois desta tragédia. Os visitantes encontrarão ali uma reconstituição dos dormitórios de Auschwitz, imagens e vídeos de arquivo e ainda alguns objetos relacionados com as comunidades judaicas que passaram pela cidade invicta durante a II Guerra Mundial.

Planeada para o dia 27 de Janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a inauguração teve de ser adiada devido à pandemia. O objetivo, agora que finalmente se reúnem condições para abrir, é suscitar a reflexão sobre uma das maiores calamidades que a humanidade já conheceu.

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OBJETOS ESPECIAIS

Os objetos mais especiais da exposição são dois rolos da Torá, o livro sagrado para os judeus. Estes dois rolos, segundo o curador, foram deixados precisamente por famílias de refugiados que acabaram por deixá-los na sinagoga do Porto e depois, como aconteceu com a generalidade dos refugiados, seguiram caminho para outros destinos.

Hugo Vaz admite que a exposição possui ainda um vídeo raro enviado pela fundação de Steven Spielberg que lhe toca particularmente: “Temos um vídeo da libertação do campo de concentração de Dachau. Foi filmada a cerimónia religiosa que aconteceu depois da libertação do campo por parte do exército aliado, os Estados Unidos da América”. No vídeo está registado o momento em que as pessoas se apercebem que estão finalmente livres e, “a primeira coisa que fazem é ir ao encontro do serviço religioso, todas elas a chorar”, revela o curador.

Charles Kaufman, presidente da organização de direitos humanos B’nai B’rith International, sublinha o importante papel do novo museu, desejando que sirva de “farol” para Portugal e para o resto da Europa: “Este impressionante Museu do Holocausto é um testemunho da herança e resiliência judaicas”.

“É importante falar deste tema e é importante falar do seu todo, do que está para trás, do que aconteceu durante e depois. Não estamos a falar apenas de 6 milhões de pessoas que desapareceram, estamos a falar da sua cultura, da sua história, da sua produção científica, artística, dos seus sonhos”, salienta Hugo Vaz.

O curador do Museu do Holocausto do Porto, afirma que “são esperados cerca de 10 mil alunos por ano, o mesmo número que, antes da pandemia, costumava visitar a Sinagoga”.

A Sinagoga Kadoorie Mekor Haim é a maior da Península Ibérica, tendo a Comunidade Judaica do Porto cerca de 500 membros, de mais de 30 países. Possui o Museu do Holocausto e o Museu Judaico, um cinema e parcerias de cooperação com o Estado Português, a Embaixada de Israel em Portugal, a B´nai B´rith International, a Anti Difamation League, a Keren Hayesod, a Chabad Lubavitch, bem como com a Diocese do Porto e a Centro Cultural Islâmico do Porto.

Fonte: Jornal I
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