França aprova polémico projeto de recuperação da Notre-Dame

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Devastada por um avassalador incêndio, quase três anos depois a Catedral de Notre-Dame de Paris vai ser reestruturada. Foi esta semana aprovado um projeto que redefine o interior do famoso monumento. A ideia inclui a possibilidade de fazer uma instalação de arte de rua e iluminação nos bancos interiores.

No entanto, o projeto, que foi discutido ao longo de vários meses, não é unânime e há quem lhe aponte críticas, referindo que o plano não é revolucionário o suficiente. Ao “The Art Newspaper”, um arquiteto parisiense referiu que as transformações previstas no projeto aprovado correm o risco de transformar Notre-Dame numa espécie de “Disneylândia”.

Com uma visão semelhante, cerca de 100 figuras públicas publicaram, na semana passada, um artigo no jornal francês “Le Figaro” onde argumentam que as ideias apresentadas “minam totalmente a decoração e o espaço religioso” do monumento gótico.

Este tipo de mobiliário ou iluminação “distorce totalmente a decoração e o espaço litúrgico”, escreveram as várias personalidades, entre as quais está o filósofo Alain Finkielkraut e um conhecido apresentador de televisão, Stéphane Bern, que foi nomeado pelo presidente Emmanuel Macron para liderar uma missão para salvaguardar o património francês.

A missiva não causou impacto suficiente, uma vez que um dia depois desta ser divulgada, vinte especialistas da Comissão de Património Nacional e Arquitetura (CPNA) votaram a favor do projeto.

Os especialistas mostraram-se confiantes no projeto, pedindo apenas para analisar mais detalhadamente os bancos da igreja que vão substituir as antigas cadeiras de palha, já que está previsto que tenham luzes e rodas, de modo a que a deslocação seja facilitada. Outras das ideias passa pela projeção luminosa de frases da Bíblia em várias línguas das paredes da catedral.

“Estamos muito satisfeitos com esta decisão, que respeita os grandes princípios que delineámos, incluindo trabalhos de iluminação e a orientação dos visitantes”, afirma o padre Gilles Drouin, responsável pela renovação do interior, citado pela AFP. O responsável destaca ainda que o objetivo é “acolher melhor o público”, sem esquecer “o respeito pelo culto religioso”.

O grupo de entendidos concorda ainda sobre a necessidade de reconstruir fielmente a moldura de madeira que sustentava o telhado de chumbo da catedral, uma estrutura que foi mantida intacta desde a Idade Média.

O Ministério da Cultura francês já confirmou alguns artistas que vão participar no pioneiro projeto. O famoso artista francês Ernest Pignon-Ernest, o pintor e escultor alemão Anselm Kiefer e a artista plástica Louise Bourgeois estão entre os nomes aprovados.

A famosa catedral, que se situa no coração de Paris, foi construída ao longo de dois séculos, e sofreu vários incêndios ao longo da sua existência. A aparência atual deve-se, em grande parte, a um restauro realizado no século XIX pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc.

Depois do trágico incêndio, que ocorreu a 19 de abril de 2019, a reabertura da Catedral de Notre-Dame está prevista para 2024. O objetivo é recuperar os cerca de 12 milhões de visitantes que anualmente a visitavam.

Fonte: JN

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