Jayme Cortez em exposição no Museu Rainha Dona Leonor

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O Museu Rainha Dona Leonor, em Beja, acolhe atualmente uma exposição de originais de Jayme Cortez (1926-1987), que tem curadoria de Fabio Moraes e Paulo Monteiro.

A mostra centra-se no capítulo da ilustração, no qual o autor português se distinguiu especialmente na área do terror. As famosas capas da revista “Calafrio” e ilustrações para cartazes de cinema e capas de livros são uma parte do material que é possível apreciar.

Este acervo, que se encontra à guarda do futuro Museu de Banda Desenhada de Beja, segundo a organização “constitui um corpo fundamental para o estudo da arte popular da segunda metade do século passado”.

Possuidor de um traço nervoso e dinâmico, magnificamente aplicado com pena ou pincel, Jayme Cortez era também mestre no uso de fortes contrastes de branco e negro, sendo a sua planificação valorizada pela constante mudança de enquadramentos, que conferiam um dinamismo extra às narrativas.

Nascido em Lisboa a 8 de Setembro de 1926, publicou a sua primeira banda desenhada aos 15 anos na revista “PimPamPum!”. Seria no entanto nas páginas de “O Mosquito”, que começaria a sua afirmação, a partir de 1944, com obras como “Uma espantosa aventura”, “Os seis terríveis”, “Os dois amigos na cidade dos monstros marinhos” ou “Os espíritos assassinos”. De comum a todas, fica o tom entre o fantástico e o terror, e a entrega do protagonismo a crianças lisboetas típicas.

Em 1947, partiria para o Brasil, onde fixou residência em São Paulo, casou e fez carreira, começando como cartoonista, desenhador de tiras para jornais e ilustrador em publicações juvenis, até chegar à editora La Selva, onde fez capas e foi diretor de arte.

A partir da década de 1950, destacou-se na área do terror e foi um dos organizadores da Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos, a primeira a nível mundial, que se realizou em 1951, em São Paulo.

Grande defensor da produção brasileira, foi professor de arte, escreveu três livros sobre desenho e ilustração, durante mais de uma década (1964-1976) foi diretor de criação da McCann Erickson, passando depois a diretor de merchandising e animação na Maurício de Sousa Produções.

A sua longa carreira valeu-lhe diversas distinções, entre as quais o prémio Jabuti, em 1969, pela capa de “Barro blanco”, e o troféu Caran D’Ache, em 1986, no salão de Lucca, Itália, pelo conjunto da sua carreira.

Um ano depois, faleceu, vítima de ataque cardíaco, mas a sua obra continua a surpreender e a ser revisitada pelas sucessivas gerações.

Há dois anos, a editora brasileira Pipoca & Nanquim publicou uma antologia dos seus trabalhos na área do terror, incluindo as duas versões da famosa banda desenhada “O Retrato do Mal”, num substancial volume intitulado “Fronteiras do Além”.

Fonte: JN

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