Museu do Futuro das Aldeias de Montanha 5.0: um projeto que preserva a memória

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A ADIRAM – Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha tem em curso a iniciativa ” Museu do Futuro das Aldeias de Montanha 5.0″, um dos projetos-piloto distinguidos em 2022 pelo Programa Promove, uma parceria entre a Fundação “la Caixa” e a Fundação para a Ciência e Tecnologia. Segundo Célia Gonçalves, coordenadora do projeto Rede de Aldeias de Montanha, o novo museu será “uma forma de materializar a identidade destas aldeias, para que não se percam as tradições, as dinâmicas e também as memórias”.

O investimento totaliza €199 mil, dos quais 75% são apoiados pelo Programa Promove. Numa primeira fase, o projeto-piloto do Museu do Futuro envolve as aldeias de Cabeça, Videmonte e Alvoco das Várzeas, mas, como explica Célia Gonçalves, o objetivo passa por alargar a outras aldeias da rede espalhadas por nove municípios, gerando sinergias regionais, e uma futura replicação transfronteiriça. “Estamos a trabalhar com um parceiro espanhol neste sentido”, salienta.

Para já, o projeto está na fase de produção e de implementação da plataforma digital que oferecerá experiências de realidade virtual com ligação à experiência física. Ou seja, como explica a coordenadora, numa visita a qualquer destas aldeias será possível em alguns locais — através de touchpoints com QR Code que podem ser lidos por qualquer smartphone — ver e ouvir histórias, dinâmicas e tradições contadas pela boca dos habitantes mais antigos. “Será feita uma articulação entre recursos culturais, naturais, artesanais e uma visão para o futuro através de realidade virtual e aumentada.”

Outras tecnologias, como blockchain e NFT, contribuirão igualmente para a preservação do património local e para revitalizar o território e as comunidades locais, “aumentando a atratividade para novos residentes, empreendedores e massa crítica”, complementa Célia Gonçalves. A coordenadora destaca ainda as oportunidades que esta experiência híbrida digital proporcionará, nomeadamente ao gerar “produtos e serviços turísticos sustentáveis e inovadores e dinamizando a economia”.

Mas a tradição e a inovação andam de mãos dadas também em Alvoco das Várzeas. Aqui, um conjunto de senhoras — ‘guardiãs das tradições’ — recupera o cancioneiro local, as artes das rendas e dos bordados e outras tradições que convivem lado a lado com a inovação que se respira nos espaços de cowork, outro dos projetos da ADIRAM para a recuperação e preservação destas aldeias, sendo a primeira rede em ambiente de aldeia. “A tradição e a cultura invadiram estes espaços de trabalho, que, em simultâneo, são uma montra da materialização da identidade destas aldeias.”

Atualmente existem três espaços de cowork, em Videmonte, Alvoco da Várzeas e Lapa dos Dinheiros, mas, como explica Célia Gonçalves, juntar-se-ão mais dois em breve, em Alpedrinha e Folgosinho. Este último será, contudo, um pouco diferente, uma vez que incluirá um laboratório de cozinha onde será possível realizar experiências culinárias com produtos endógenos da região. No entanto, em comum todos terão elementos identitários do local onde se inserem, replicando o que já existe em Alvoco das Várzeas. Em pleno espaço de trabalho há pufes feitos em burel (tecido 100% fabricado com lã de ovelha, de origem medieval), abat-jours de renda e um conjunto de elementos decorativos em bordado regional.

Fonte: Expresso

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